André Pitol
Atividade: Curso de curta duração
Ano: 2019
Local: Centro de Pesquisa e Formação - Sesc São Paulo
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A obra de Alair Gomes chamou a atenção do meio artístico para aspectos de uma produção fotográfica potente em qualidade e gigante em quantidade, realizada a partir dos anos 1960 e conhecida a partir dos anos 1990. A repetição de um repertório discursivo ligado a expressões como voyeurismo homoerotismo e corpo cristaliza uma imagem indissociável entre sexualidade e o fotógrafo. A proposta desse curso é a de analisar a formação desse fenômeno para depois oferecer novos modos de olhar a analisar sua produção fotográfica, focalizando a circulação de suas imagens e colaboração com outros atores culturais do período. Nos três encontros, propomos:
1) investigar de modo se deu esse processo de cristalização temática homoerótica;
2) analisar como uma concepção gráfica de arte impressa esteve intrinsecamente ligada ao seu modo de produzir e circular sua fotografia e
3) ampliar a ideia de circuito artístico na trajetória de Alair Gomes.
1 - Construindo homoerotismos.O reconhecimento póstumo do fotógrafo na cena artística contemporânea teve como eixo principal o pressuposto de que sua fotografia era, predominantemente, homoerótica. Desde então, a sua permanência no debate parece ter sido paulatina e crescente, fazendo do fotógrafo "o pioneiro da arte homoerótica no Brasil". No primeiro encontro, apresentaremos como essa construção discursiva foi realizada.
2 - Desconstruindo homoerotismos: Alair Gomes na parede e nas mãos.Se hoje reconhecemos a produção de Alair Gomes por meio dos trabalhos fotográficos expostos nas paredes das exposições, no período em que o fotógrafo fez circular suas imagens, tanto as de corpos masculinos quanto as imagens de teatro e carnaval, a recepção do público se deu não apenas com os olhos, mas com as mãos, em imagens impressas em revistas, jornais e livros de artista. A proximidade de Alair Gomes com a concepção gráfica e impressa da fotografia será o assunto o segundo encontro.
3 - Ampliando homoerotismos: perspectivas sobre Alair Gomes.Para finalizar, pretende retomar as principais questões tratadas nos dois primeiros encontro, a fim de situar temporalmente e localizar Alair Gomes no cenário artísticos principalmente do Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1980. Para isso, apresentaremos uma série de aproximações e comparações de sua atuação junto a outros atores sociais do período, como Carlos Chagas Filho, Roberto Burle Marx, Aloisio Magalhães, dentre outros.